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Maria Cecília Mansur

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© 2016 por ADZ COMUNICAÇÃO

Bia e a Cidade

September 28, 2017


 

 

Era daqueles dias em que até o cara da tevê a excitava. No elevador, o perfume de algum vizinho deixou um rastro indelével: ela precisava de sexo. “Tanto tempo”, pensava, enquanto abria a porta de casa. Eram sete e meia da noite de uma quinta-feira. Nenhum evento digno de nota. Nenhum convite. Nada. Bia trancava a porta atrás de si e desceu dos saltos ao mesmo tempo em que colocava a bolsa com as chaves sob a mesa de entrada. Queria sair para dançar, mas todas as amigas já tinham outros compromissos: aulas noturnas, namorados, maridos, filhos. Ela não. Hoje seria a noite perfeita, mas não sabia por onde começar. Decidiu que tomaria um banho. Antes de dirigir-se ao chuveiro, foi deixando as peças de roupa deslizarem corpo abaixo. Bia era de um moreno jambo brilhante, cabelos cacheados presos em um coque descuidado feito à caneta sobre a cabeça. Seu pescoço era comprido, liso, encimava umas saboneteiras aparentes, que terminavam em ombros redondamente perfeitos. Os braços longos abraçavam um soutien aberto, escorrendo para o chão. Seus seios eram esculturas macias, deliciosas. Chegando ao quarto, não vestia mais nada. Estava escuro, mas ela não acendeu a luz. Com as mãos, reconheceu seu corpo. Acariciou-se lentamente, olhou sua silhueta no espelho, até onde a luz da cidade permitia. Era bonita. Mais do que isso, era atraente. Bia sabia disso. Encarou-se por longos minutos, mordia os lábios, jogava os cabelos, sorria. Aquele reflexo era tudo que ela gostava em si. “Gostosa” piscou a mensagem em seu celular, que estava na pia do banheiro da suíte. Bia corou. Era um flerte de algumas semanas, um vizinho que morava no prédio contíguo ao dela. Algumas vezes ela se deitava em sua rede, na varanda, só para deixar o corpo à mostra. Colocava uns vestidos curtos ou umas camisetas largas sem nada por baixo e ia ler um livro ali, com tudo à mostra. Ele enlouquecia. Trocaram telefones no metrô havia uns três dias. “Deixa eu entrar”. Ela bem queria. “Vem”, teclou ela, sem parar de olhar-se no espelho. Recebeu-o à porta daquele jeito mesmo. Sem nada. Ele, alto, magro, branco como giz, estava estático. Deixou a porta fechar por detrás de si, tomou-lhe as mãos, forçando-a contra a parede. Respirou profundamente duas vezes, enquanto cheirava seus cabelos, seu pescoço, seu umbigo. Ajoelhou-se e a lambeu vigorosamente. Chupou-a como quem chupa uma manga madura, doce, deliciosa. Ficou ali, sem pressa, brincando com sua língua entre os lábios dela, ora grandes, ora pequenos. Bia agarrava-se nos cabelos dele, enquanto escorria entre as pernas (ele lambendo tudo). Bruscamente, ele lhe apertou as ancas e girou-a face a parede. Lambia ali como quisesse abrir um caminho escondido. “Me come”, ela suplicou. Estava tão aberta que sentia doer. Ele se levantou. Virou a moça para si e chupou-lhe os peitos demoradamente. As unhas dela quase encravadas na nuca dele. Ela falava entre respiradas profundas, “me come”. Encaixando-a em seu colo, contra a parede, ele obedeceu. Jogou-a no sofá, de quatro, enquanto puxava os cabelos dela para junto de si, trazendo aquele pescoço. Entre mordidas, forçava-se para dentro dela como quem cavava um túnel. Já no chão, deixou que ela se deitasse de frente para ele. Entrou novamente, desta vez, profundo e bem devagar. Bia se movia, encontrando seu ritmo. Gozou como não gozava a tempos. Ele também. Entre chupões e mordidas, encaixaram-se no banho. Depois, na rede. Ele nem se deu ao trabalho de ir embora: ficou para garantir que ela teria uma boa comida no café da manhã...

 

 

Carol Maciel. Psicóloga. Artista plástica. Mãe. Aspirante a escritora. Trintona, gostosona e engraçadona, que adora uma conversa descomplicada e faz de tudo para contar uma boa história.

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