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Maria Cecília Mansur

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O que é uma

mulher gostosa?

Gostosa é uma palavra que geralmente é

usada com uma conotação de desejo sexual,

na maioria dos casos, para um certo “tipo”

de mulher. A palavra gostosa é uma palavra

erotizada cheia de possibilidades e a literatura

erótica contada pelo ponto de vista da mulher

no Brasil ainda é ínfima. Sexualidade e erotismo

sempre foram assuntos tratados na literatura

mundial. Na Ásia, com as poesias eróticas; na

Europa, principalmente na Itália e na França, houve grande produção de textos e contos eróticos nos

séculos XVII e XVIII. Mas, aqui no Brasil, esta

literatura só vai aparecer no final do século XIX.

São textos curiosos porque os termos da linguagem

chula e os palavrões eram alterados em razão da censura que sempre houve em relação ao assunto, então surgiam coisas engraçadas como ‘apêndice varonil’ ou ‘cetro’. Nada era dito de forma explícita. Sempre tivemos um mal estar para tratar das questões do sexo e do erotismo no Brasil. Estudos sobre a história da sexualidade brasileira são raros. Apareceram, raramente, em trabalhos de autores contemporâneos como Ronaldo Vainfas, Eliane Robert de Moraes e do antropólogo baiano Luis Moti.

“A essência do erotismo é, assim, ser a transgressão por excelência, dado que ele é resultado da atividade sexual humana enquanto prazer e, ao mesmo tempo, consciência do interdito. Aquele ponto em que o homem é ao mesmo tempo social e animal, humano e inumano, além de si mesmo. Constantemente ele teme a si mesmo. Seus movimentos eróticos o apavoram.” (Georges Bataille)

 

Além de todas as questões contextuais pertinentes acredito que o projeto “gostôsa” pretende abrir espaços compartilhados de comunicação e manifestação da voz feminina, por vezes ainda reprimida em muitos extratos da sociedade, pois, o modo como a mulher vê, percebe e sente a realidade é diferente da dos homens.


O projeto aposta em revelar diversas gostosas desse país, de maneira a ampliar possibilidades e discussões sobre o ser feminino e suas lutas diárias através do espetáculo “gostôsa’ e do documentário “Histórias Absorventes” em relação aos padrões estéticos, feminismo e a experiência da mulher com o próprio corpo... Conhecer a diversidade é importante para ampliar e tomar consciência do nosso olhar normatizado e padronizado pela sociedade machista. Busca-se aqui inspiração para o corpo erótico diverso, dotado de história, de individualidade, de experiências singulares, de contextos singulares, do universo feminino e suas questões.